domingo, 11 de agosto de 2013

Crescem as estruturas de formação de mão de obra no Estado

 Ao passo que crescem as oportunidades de trabalho e que aumenta a pressão por mão de obra, as instituições de formação profissional do Estado vêm aumentando o número de vagas e as opções de cursos. Só no Senai, a oferta de vagas saltou de 24,5 mil no ano de 2006 para quase 70 mil no ano passado. Em 2013, nos cinco primeiros meses do ano, foram registradas 32,6 mil matrículas. Além do maior volume de alunos nas salas de aula, a quantidade de bolsas para estudo gratuito também tem crescido consideravelmente. Em 2012, 14,4 mil estudantes se capacitaram gratuitamente na instituição.

Para dar conta da nova dinâmica econômica do Estado e seguir aumentando e qualificando a oferta de formação profissional, a instituição vem recebendo investimentos elevados. Só no ano passado foram mais de R$ 24,6 milhões. Para os próximos três anos as expectativas são de investimentos de R$ 150 milhões, com a criação da  Faculdade de Tecnologia Senai Pernambuco e dos institutos de tecnologia e inovação, além da abertura de novas unidades técnicas em Ipojuca, Goiana e Jaboatão.
Outra instituição de formação que ganhou uma nova projeção nos últimos anos e tem um amplo projeto de expansão é o IFPE. A partir deste ano sete novos campi serão abertos em Pernambuco. Na região norte do Estado, onde estão sendo formados dois grandes polos industriais, a instituição abrirá quatro unidades (Igarassu, Paulista, Abreu e Lima e Olinda) “Houve uma preocupação do Governo Federal em, estrategicamente, situar esses equipamentos devido à chegada dos polos farmacoquímico, automobilístico e demais indústrias e empresas satélites a serem instaladas naquela localidade. Trata-se de uma oportunidade aos moradores desses municípios de se qualificarem para ocupar esses postos de trabalho”, declara a reitora Cláudia Sansil.

Dos campi do IFPE, sem dúvida o de Ipojuca é o que está mais próximo desse novo momento da economia pernambucana. Vizinho a grandes empreendimentos industriais como a Refinaria Abreu e Lima e os estaleiros, a instituição federal oferece cursos técnicos de construção naval, automação industrial, petroquímica, entre outros. O aproveitamento dos primeiros formandos em algumas dessas formações é um dos fatores a se comemorar. 

ALÉM DA INDÚSTRIA. Se as vagas de emprego nas grandes indústrias que se instalam no Estado enchem os olhos dos jovens pernambucanos de expectativas, os efeitos dessa injeção de recursos na economia local e a ampliação do número de profissionais com maior poder aquisitivo criam também grandes oportunidades indiretas. “Além desse olhar sobre as possibilidades de ocupação na indústria, onde o nível exigido de qualificação é bem elevado, há uma grande aposta sobre os empregos gerados a partir da nova demanda de serviços. O efeito renda gerado pelos trabalhadores dessa nova indústria irá impulsionar os serviços modernos não apenas no Recife, mas também no interior”, declara o economista e professor da Unicap, Valdeci Monteiro.

Um setor que também deverá ampliar o seu quadro de profissionais e exigir maior qualificação é a gestão pública. A captação de mais impostos e o surgimento de novas pressões sociais e de infraestrutura colocam em xeque a atuação mais amadora do poder público municipal.

Outra oportunidade para os pernambucanos destacada pelo economista é o desafio de participar da cadeia produtiva desses novos segmentos produtivos, mesmo que de forma indireta. “Além da qualificação dos trabalhadores, é importante olhar para os empresários e empreendedores locais.  Esses novos segmentos exigem uma grande adaptação das empresas locais para que possam se tornar fornecedoras dos fornecedores. Mas fazer essa indústria local engatar nessas cadeias não é tarefa fácil”, declara Valdeci. Grandes gargalos em inovação e as dificuldades com a captação de financiamento são alguns dos pontos críticos enfrentados pelo empresariado local.

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