Desde a madrugada e hoje (17/05) os moradores do Grande
Recife sofreram com as águas da chuva que tomaram conta das vias públicas e
calçadas das cidades que compõe a região metropolitana. Pedestres, ciclistas,
motoristas e usuários de transporte público foram vítimas do resultado da queda
de mais de 120
milímetros de chuva, segundo o Instituto Climatempo. O
índice corresponde a quase um terço do esperado para todo o mês de maior. Mas o
caos vivido pelo recifense hoje não é nenhuma novidade. Foi apenas mais um dia
em que o Recife parou.
Há dois anos o ex-prefeito João da Costa foi surpreendido em
meio a uma viagem de lazer a Madrid com a notícia que a cidade sofria debaixo
d’água. Geraldo não viajou, mas a cidade mais uma vez afundou. O drama vivido
pelos recifenses hoje é um filme que se repete a cada inverno. E olha que a
estação sequer começou.
Segundo o balanço da Secretaria Executiva de Defesa Civil,
entre a madrugada de ontem e o meio-dia de hoje, foram registradas 173 ocorrências
na cidade - entre solicitações para colocação de lonas, chamados de
deslizamentos, pedidos de vistorias, queda de árvores. A Polícia Rodoviária
Federal informa também que a quantidade de acidentes nas estradas cresceu nesta
sexta-feira. Mas os números sequer se aproximam do número de carros parados nas
vias, de ruas alagadas e de trabalhadores com o celular na mão tirando fotos e
informando ao patrão que não daria para chegar ao emprego.
Faltando poucos dias para a inauguração da Arena Pernambuco
e algumas semanas para a estréia da Copa das Confederações, o comentário geral
da cidade é acerca da preparação do Recife para receber o evento internacional.
Mas dessa dúvida nasce a constatação de que “o legado da Copa em
infraestrutura”, que justificaria todo o esforço estatal para os gastos, ainda
não é sensível ao cotidiano dos recifenses. E, provavelmente, não o será.
Se por um lado não se pode culpar de todo a atual gestão
municipal com a reincidência desse problema crônico da cidade, por outro as cobranças
para que a Prefeitura que haja preventivamente deve crescer. O discurso do
planejamento tem que sair do papel e a cidade necessita de intervenções para
sofrer menos com as chuvas.
A falta de investimentos em infraestrutura das cidades
brasileiras, as vezes sob a justificativa de falta de recursos, acaba sendo
penalizada com a necessidade de aportes emergenciais em operações de tapa
buracos, lonas para áreas de riscos, entre outras atividades dos órgãos
públicos em momentos críticos – que em geral são mais caros e ineficientes até
no médio prazo.
