sábado, 18 de maio de 2013

O dia que o Recife parou


Desde a madrugada e hoje (17/05) os moradores do Grande Recife sofreram com as águas da chuva que tomaram conta das vias públicas e calçadas das cidades que compõe a região metropolitana. Pedestres, ciclistas, motoristas e usuários de transporte público foram vítimas do resultado da queda de mais de 120 milímetros de chuva, segundo o Instituto Climatempo. O índice corresponde a quase um terço do esperado para todo o mês de maior. Mas o caos vivido pelo recifense hoje não é nenhuma novidade. Foi apenas mais um dia em que o Recife parou.

Há dois anos o ex-prefeito João da Costa foi surpreendido em meio a uma viagem de lazer a Madrid com a notícia que a cidade sofria debaixo d’água. Geraldo não viajou, mas a cidade mais uma vez afundou. O drama vivido pelos recifenses hoje é um filme que se repete a cada inverno. E olha que a estação sequer começou.

Segundo o balanço da Secretaria Executiva de Defesa Civil, entre a madrugada de ontem e o meio-dia de hoje, foram registradas 173 ocorrências na cidade - entre solicitações para colocação de lonas, chamados de deslizamentos, pedidos de vistorias, queda de árvores. A Polícia Rodoviária Federal informa também que a quantidade de acidentes nas estradas cresceu nesta sexta-feira. Mas os números sequer se aproximam do número de carros parados nas vias, de ruas alagadas e de trabalhadores com o celular na mão tirando fotos e informando ao patrão que não daria para chegar ao emprego.

Faltando poucos dias para a inauguração da Arena Pernambuco e algumas semanas para a estréia da Copa das Confederações, o comentário geral da cidade é acerca da preparação do Recife para receber o evento internacional. Mas dessa dúvida nasce a constatação de que “o legado da Copa em infraestrutura”, que justificaria todo o esforço estatal para os gastos, ainda não é sensível ao cotidiano dos recifenses. E, provavelmente, não o será.

Se por um lado não se pode culpar de todo a atual gestão municipal com a reincidência desse problema crônico da cidade, por outro as cobranças para que a Prefeitura que haja preventivamente deve crescer. O discurso do planejamento tem que sair do papel e a cidade necessita de intervenções para sofrer menos com as chuvas.

A falta de investimentos em infraestrutura das cidades brasileiras, as vezes sob a justificativa de falta de recursos, acaba sendo penalizada com a necessidade de aportes emergenciais em operações de tapa buracos, lonas para áreas de riscos, entre outras atividades dos órgãos públicos em momentos críticos – que em geral são mais caros e ineficientes até no médio prazo.

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